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domingo, 2 de agosto de 2009

"Entre eles"

"Os pedidos do pontífice coincidiram com a notícia, destacada pela Rádio Vaticano, que pelo menos sete cristãos - entre eles uma criança e quatro mulheres - morreram queimados nas últimas horas por um grupo de fundamentalistas islâmicos na cidade de Gojra, na província do Punjab, no Paquistão."




Façam as contas comigo:

7 cristãos = 1 criança + 4 mulheres + 2 seres humanos default (homens)

As mulheres e a criança são, ao todo, cinco pessoas. Ou seja, entre sete, uma maioria. No entanto, elas são reduzidas a um 'entre eles'. Porque elas não são seres humanos inteiros. Elas não são padrão. Homens são.

As mulheres e crianças apresentadas na conta servem pra causar piedade. Porque uma criança muitas vezes não tem como se defender. Isso é fato. Elas são menores, mais fracas. Mas me transformem em uma pessoa mais esclarecida e me expliquem qual é a gigantesca diferença entre uma mulher e um homem adultos além de certos atributos óbvios.

Segundo a mídia, mulheres não são só meio-humanas, elas também são incapazes de se defender, como crianças.

E não me venham com abobrinhas do estilo 'mulheres-são-mais-fracas' porque nem na Idade Média (que é a Idade Média!) esse argumento colava.

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Em tempo:

Lamento muito essa barbárie. Parece que a gente só involui.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Paixão Índia - Javier Moro

"Com o menino nos braços, Anita abre passagem entre os criados, que a fitam em silêncio; depois, entrega-o ao eunuco vestido de fúcsia. Este pega-o delicadamente e de repente põe-se a dançar, girando e gingando ao ritmo dos chocalhos costurados na saia e dos pandeiros dos outros. "O bebê é tão forte quanto Shiva, e suplicamos ao Deus todo-poderoso que nos entregue os pecados de suas vidas anteriores...", cantam todos em grupo enquanto os outros se unem à dança. Ao mesmo tempo, o eunuco vestido de fúcsia pega um pouco de pasta vermelha de uma caixinha e com o dedo indicador desenha um ponto na testa do bebê. Com esse gesto simbólico, as culpas anteriores do filho de Anita passam para os eunucos. E eles ficam contentes, porque assim cumprem sua missão, que a Índia das mil castas lhes determinou ao atribuir-lhes o papel de bodes expiatórios. Acabam dançando em honra à mãe, e jogam grãos de arroz sobre a cabeça de Anita. A temperatura sufocante não estraga o ambiente. É uma festa espontânea, improvisada, alegre e ruidosa. Anita, para quem há poucos minutos aqueles indivíduos pareciam estranhos, distantes e temíveis, agora os vê como seus amigos."
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Paixão Índia conta a história de Anita Delgado, a espanhola que se tornou a maharani Prem Kumari de Kapurthala após se casar com o maharaja sir Jagatjit Singh Bahadur de Kapurthala. Não é nem de longe a mais bem contada das histórias; o estilo de Moro é cansativo e forçado. Mas é interessante para observar a cultura indiana.

O trecho que eu escrevi foi escolhido propositalmente, com a intenção de mostrar a leve participação dos hijras na história.

Um filme baseado no livro, estreado por Penélope Cruz, estava previsto para 2006, mas aparentemente um dos descendentes do marajá se opôs às filmagens, alegando que o livro distorce a realidade.


Título original: Pasión India
Subtítulo: -
Autora: Javier Moro
Tradução: Sandra Martha Dolinsky
Editora: Planeta
Assunto: Biografia / História
Edição:
Páginas: 389

terça-feira, 9 de setembro de 2008

O Terceiro Sexo


Lindo o documentário O Terceiro Sexo [ 1 2 3 4 ], da National Geographic.

Trata da transexualidade no Oriente, através da tradição dos hijras na Índia e dos kathoey na Tailândia. Vale a pena.

sábado, 23 de agosto de 2008

Fire


Dirigido por Deepa Mehta
Canadá/Índia, 1996 Cor – 106 min.
Com: Shabana Azmi, Nandita Das, Javed Jaffrey, Kulbhushan Kharbanda, Ranjit Chowdhry.